DEPUTADO ESTADUAL EDMILSON RODRIGUES PSOL
O deputado estadual Edmilson Rodrigues é a melhor chance do PSOL conquistar uma capital este ano. Ele está na frente da disputa eleitoral em Belém, com cerca de 40% das intenções de voto. Último a ocupar o cargo antes do prefeito Duciomar da Costa (PDT), Edmilson quer voltar para retomar os projetos que foram deixados de lado pelo governo atual, e preparar a capital para a comemoração dos 400 anos. “Queremos montar um programa que planeje a cidade para 2016. A rigor, vamos retomar muitos programas. Nossa cidade é bonita, alegre, muito forte culturalmente, mas bastante mal cuidada”, disse, em entrevista ao jornalista Marcelo Osakabe.
Em 2008, o senhor foi cotado para disputar a prefeitura, mas não quis concorrer. Por que desistiu? Naquele ano, estava fazendo o meu doutorado em São Paulo. Optei por não concorrer porque poderia perder o tempo hábil para fazer minha tese. Minha primeira profissão é educador. Faço política conforme as necessidades da militância
Que partidos procurou? Olha, ainda trabalhei pouco nessa parte. Muitos partidos vieram me procurar, sobretudo alguns pequenos. Conversamos com PV, PTdoB, PTN e PSTU. Queremos as contribuições desses partidos. Mediação de tentar colher contribuições que vão além dos partidos.
E o PT, seu antigo partido? Tenho uma boa relação com alguns militantes do partido, que já disseram que vão fazer campanha para mim no primeiro turno. Agora, eles já decidiram que vão lançar candidato próprio. É possível que, caso eu chegue a um desejável segundo turno, possamos ter o apoio deles também.
O que mudou desde que deixou a prefeitura? Nos últimos oito anos, Belém não aproveitou o crescimento econômico que o país vivenciou. As cidades passaram a ter mais repasses da União, mas isso não trouxe nenhum avanço para a população. Ainda temos grandes problemas com saneamento, saúde e educação. Nossa cidade é bonita, alegre, muito forte culturalmente, mas bastante mal cuidada. Cada chuva é um desespero. Sem cuidar da cidade, fica difícil explorar potencial nosso turístico.
Como um candidato do PSOL chegou ao primeiro lugar nas pesquisas? Na minha gestão, alcançamos 52% de cobertura do programa saúde da família. Este número está atualmente em 16%. Tínhamos 14, e subimos para 80. Construí o segundo hospital da cidade, e ficou por isso mesmo. Conseguimos muito nesses oito nos, tendo em vista que o governo vigente era do PSDB, e que os principais grupos da cidade estavam contra nós. É por isso que estou em primeiro lugar nas pesquisas.
O que priorizará caso seja novamente eleito? Queremos montar um programa que planeje a cidade para 2016, para os nossos 400 anos. A rigor, vamos retomar muitos programas, aprofundar ainda mais a municipalização da saúde. Na educação, quero lutar pelo acesso e permanência de crianças e adolescentes nas escolas, e ao mesmo tempo, cuidar para que a capital esteja livre do analfabetismo, uma promessa que fiz a Cristóvão Buarque quando prefeito e que não consegui cumprir. Precisamos avançar na macrodrenagem e cuidar das políticas sociais voltadas aos jovens. 57% dos nossos detentos têm menos de 29 anos.
E o trânsito? Belém precisa investir em transporte fluvial e ferroviário. Tem também que pensar no sistema cicloviário, que prejudica menos o meio ambiente. Mas antes de tudo, é preciso fazer um debate com o governo federal sobre a matriz industrial brasileira. Não dá para dar incentivo à fabricação e importação de carros sem se ter em conta que as cidades já estão entupidas de automóveis. Sou arquiteto e urbanista, com especialização em planejamento urbano. Aprendi com Milton Santos que podemos planejar a cidade em função dos seus cidadãos ou para quem quer lucrar com ela.

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